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5 a 11.10.2007
Banca e seguros apostam na eficiência operacional
Sem prejuízo para a manutenção de infra-estruturas e para a segurança, a eficiência operacional está no centro da estratégia de investimento do sector financeiro e das seguradoras
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O sector financeiro continua a ser um dos principais dinamizadores de investimentos em tecnologias da informação, canalizando um número significativo de recursos das maiores empresas de software, hardware e serviços, que têm neste segmento de negócio uma das suas principais fontes de receitas. Com destaque para a banca, mais do que para as seguradoras, que têm menor expressão e que estão muitas vezes agregadas a grupos bancários, o crescimento dos investimentos deverá apresentar uma taxa média de 6,9% até 2010, segundo previsões da IDC Portugal, que estima os valores investidos este ano em 700 milhões de euros.
Embora a procura de produtividade e eficiência seja uma constante nos dois sectores, a banca continua a canalizar mais investimentos para a área de TI do que os seguros. João Caçorino, FS Business Unit director da CSC Portugal, não encontra porém nenhuma diferença em termos de dinamismo e inovação entre os dois sectores. José Alexandre Correia, partner da Safira, salienta no entanto que, embora sejam ambos negócios financeiros, «são muito diferentes», e lembra que «no próprio sector bancário há diferenças significativas, do ponto de vista de requisitos de negócio, entre o retalho, as empresas ou o private/affluent».
Também Filipe Freitas, business development manager da Critical Software, admite distinções importantes «naquilo que tem a ver com o seu core business», embora dentro da empresa exista uma abordagem integrada.
Mesmo com a incorporação dentro dos mesmos grupos financeiros, Rui Figueiredo, practice principal da HP Services, salienta que existem «diferentes necessidades, soluções e serviços, que possuem características próprias, caso estejamos a falar de banca ou seguros, sendo que, muitas vezes, os processos, plataformas, sistemas e organizações são partilhados pelas diferentes unidades de negócio, dentro do mesmo grupo financeiro».
Da mesma forma Rui Pereira, vice-presidente de business development da OutSystems, sublinha que os projectos realizados para o mercado bancário e seguradoras são bastante diferentes, identificando porém quatro objectivos comuns, entre os quais a redução de custos de manutenção das aplicações, rapidez na entrega de novas soluções de negócio, capacidade de integração no ambiente existente e flexibilidade na adaptação para responder de forma eficaz ao negócio.
Gestão de risco e segurança obrigatória
Entre as áreas que têm centralizado o investimento, a segurança e a área de risco são duas das mais dinâmicas, quer por imposições regulatórias, quer pela necessidade de garantir maior eficiência operacional. As exigências de sistemas como o Basileia II e o Solvência II (soluções de gestão de risco), ou protecção contra sistemas de lavagem de dinheiro, determinam investimentos obrigatórios, que, como lembra Luís Pereira, vice-presidente da Accenture Portugal, «nem sempre são os mais desejados».
Como ponto fundamental está a segurança. Um estudo recente da Deloitte a nível global indica que as instituições identificaram os principais problemas em matéria de segurança e as acções necessárias para melhorar a segurança e as práticas de privacidade mas, paradoxalmente, várias instituições financeiras estão a ficar para trás no que respeita às medidas efectivas que estão a ser adoptadas.
As empresas contactadas pelo Semana referem, porém, que os investimentos em segurança continuam a estar no centro das preocupações. «A área de segurança é sempre uma preocupação neste sector. O negócio bancário está assente em relações de confiança, por isso, é fundamental que os clientes da banca sintam que o seu dinheiro, os seus dados e a sua informação estão seguros», lembra José Alexandre Correia, partner da Safira. O mesmo acrescenta que, do lado da gestão do risco, «o ambiente extremamente competitivo do sector obriga a responder de uma forma célere mas ao mesmo tempo com um correcto assessment do risco do cliente. Tal só poderá acontecer com recurso a ferramentas de suporte à decisão», uma necessidade que a recente crise de liquidez veio adensar.
Filipe Freitas, da Critical Software, admite que as imposições de normas como o Basileia II e Sarbanes Oxley aumentam a relevância das questões de segurança para a banca e seguros mas acredita que a enorme relevância desta questão actualmente se prende à «interiorização de que no contexto actual é crucial apetrechar a organização com plataformas mais inteligentes na mitigação dos riscos de falhas de segurança, confidencialidade e integridade dos sistemas e da informação».
Para o responsável da Critical Software, «o mercado é demasiado competitivo para se deitar tudo a perder por um e-mail enviado indevidamente ou um documento acedido por alguém que não deveria ter acesso ao seu conteúdo». O mesmo responsável refere que a Critical Software está a desenvolver uma abordagem inovadora, em particular nas áreas de Multi-Level Security, a implementar em alguns bancos de referência em Portugal a nível corporativo
A preocupação com a redução de custos não deixa porém de ser central. «Quer ao nível do back-office que ao nível do front-end, o sector financeiro tem vindo a olhar para a forma como os processos de negócio estão actualmente implementados, procurando encontrar novas formas para a sua realização, diminuindo os custos, aumentando a eficiência e melhorando a qualidade dos serviços prestados», refere Rui Figueiredo, practice principal da HP Services.
João Moradias, Financial Services industry leader da Oracle Portugal, lembra que deverá assistir-se a um processo de consolidação orçamental que «surgirá naturalmente no redesenho que muitas arquitecturas que actualmente, face à oferta em sistemas distribuídos, não fazem sentido e têm um peso brutal nos orçamentos de TI das principais instituições financeiras em Portugal».
«Existem casos de sucesso em Portugal de projectos que visam a diminuição de necessidade de mainframe, em que o retorno do investimento foi atingido em cerca de seis meses», sublinha. O responsável aponta ainda como áreas de enorme dinamismo no investimento o Enterprise Content Management, as Arquitecturas Orientadas a Serviços e o Business Intelligence, assim como outras que «têm como objectivo a obtenção de um superior grau de eficiência nos sistemas actuais» e que são também um ponto de interesse comum no mercado.
Luís Dias, administrador da Vantyx, adianta igualmente que as áreas em que a empresa tem sentido claramente «um esforço forte de investimento têm sido as de optimização de processos internos, cobertura de novos canais de negócio - pontos de venda, canal Web - e áreas de backoffice onde se situa, por exemplo, o risco e a decisão de crédito».
Outsourcing e governação
A entrega a entidades externas de áreas não relacionadas com o core business do sector financeiro mantém-se como tendência identificada pelas empresas de TI, embora actualmente mais focada em novas áreas, não deixando, porém, de ser uma importante ferramenta de gestão. «Após uma primeira vaga de outsourcing da gestão dos sistemas centrais segue-se uma segunda vaga de outsourcing de gestão de sistemas distribuídos, em paralelo com uma tendência de externalização da gestão de processos numa lógica de rentabilização e redução de custo», sublinha Francisco Abecasis, da IBM Portugal.
As preocupações das empresas quanto procuram um parceiro para o outsourcing estão também mais afinadas. «Actualmente existe uma maior preocupação em identificar quais as áreas que, não fazendo parte da actividade core, podem ser externalizadas, ao mesmo tempo que se procura seleccionar o parceiro com a experiência e a capacidade para a externalização dos serviços, e se definem os níveis de serviço e os mecanismos de controlo dos serviços prestados», acrescenta Rui Figueiredo, da HP Services.
As infra-estruturas, comunicações, aplicações e finishing são as áreas que tradicionalmente tendem a ser externalizadas, enquanto que as entidades financeiras procuram identificar os processos que não sendo fundamentais para o negócio, possuem a dimensão e características que permitam o seu outsourcing, completa aquele porta-voz.
Luís Dias acredita que o movimento de outsourcing não está ainda consolidado. «Na banca, o que temos assistido é ao estabelecimento de contratos de outsourcing, ou autonomização que, regra geral, apenas cobrem áreas periféricas dos SI. Ainda falta fazer um movimento para o core bancário que, acreditamos, não será para breve».
Em contracorrente está João Moradias, da Oracle Portugal, que não acredita que o mesmo movimento continue a fazer sentido. «Qualquer movimento de outsourcing pode ser justificado numa lógica exclusivamente financeira, mas poderá ter pontos negativos como sejam a perda de alguma identidade e capacidade operacional da instituição», lembra. O mesmo responsável acredita que a capacidade de resposta de TI continuará sempre a ser um factor diferenciador nas instituições financeiras e «a informação e competências exclusivas serão sempre um activo que não deve ser equacionado».
Integração e enfoque no cliente
Sem se afastar das áreas de investimento já identificadas, a médio prazo, as apostas do sector bancário têm também no horizonte perspectivas de investimento em áreas de integração e reposicionamento no cliente.
Do ponto de vista do negócio, Rui Figueiredo identifica como áreas-chave a necessidade de «aumentar o conhecimento do cliente (know your customer), a integração dos diferentes canais, a clara separação entre back-office e front-office com o foco nas actividade de venda no front-office, a mudança do peso entre actividades administrativas e de venda ao cliente e a monitorização constante dos níveis de serviço, a modernização e controlo dos processos de negócio desde o seu desenho à execução e controlo, a gestão do risco operacional e a resposta às necessidades de compliance, entre outras».
As áreas assinaladas darão origem ao maior investimento em arquitecturas orientadas a serviços (SOA), adopção de plataformas multicanal e soluções de business process management (BPM), mas também à utilização de web services para permitir a conexão das diferentes entidades e serviços.
Estas áreas estão em linha com a análise da IBM que, através do Institute for Business Value e Global Market Value, aponta como sectores de maior potencial de crescimento a integração de sistemas (SOA, BPM, ECM), o outsourcing aplicacional (através de modelos de AMS mistos: insourcing, near-shore & off-shore) e a consultoria tecnológica (segurança, virtualização, consolidação), refere Ricardo Rodrigo, líder do sector financeiro da divisão de Consultoria da IBM Portugal. Luís Dias, administrador da Vantyx, acrescenta ainda as áreas de risco, recuperação (cobrança) e contencioso, concessão de crédito e cobertura de canais de distribuição de produtos financeiros complexos.
«A curto/médio prazo consideramos que os maiores níveis de crescimento se vão centrar na integração de aplicações, consolidação, segurança e enterprise content management», admite José Henriques, country manager da GFI Portugal.
Dentro da mesma lógica José Alexandre Correia, partner da Safira, diz que «em diversas áreas de actividade tem havido um reposicionamento estratégico centrado no cliente. A banca não é uma excepção e existem hoje no mercado produtos que respondem às mais diversas necessidades dos clientes. Esta dinâmica irá necessitar de investimentos na área de CI (Customer Intelligence) e de uma fusão do BI com o CRM. Esta será, com certeza, uma área a investir nos próximos anos».
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