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11 a 17.01.2008
GFI altera orgânica da empresa em Portugal
Semana nº 865 de 11 a 17 de Janeiro de 2008
Concluído o processo de integração da Bull, o objectivo para o próximo ano fiscal é alcançar um volume de negócios de 30 milhões de euros, criar novas áreas de negócio e adquirir uma empresa na ordem dos 10 milhões de euros
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O ano passado foi positivo para a GFI Portugal, tendo finalizado o exercício fiscal com uma facturação de 28 milhões de euros. No entanto, 2007 ficou pautado por um período mais atribulado para o Grupo GFI Informatique quando, em Maio do passado ano, a Fujitsu Services comunicava o estabelecimento de uma OPA ao Grupo GFI Informatique, que acabou por não se concretizar.
A OPA foi rejeitada pelos accionistas da GFI, apesar de o valor envolvido nessa operação representar um ganho de 19,6 por cento face à cotização das acções no dia do anúncio realizado pela companhia japonesa. Ultrapassado este episódio, em Junho do corrente ano, o Grupo GFI Informatique anunciava a aquisição da Bull Portuguesa ao grupo francês Bull, por um valor não revelado, integrando a empresa na estrutura da GFI Portugal.
Finalizado o ano de 2007, o director-geral da GFI Portugal, José Henriques, confirma ao Semana que «o processo de integração da Bull Portugal foi bem sucedido». Fruto desta integração, a GFI começou a delinear um projecto de reorganização que terá efeitos práticos este ano.
Para colocar em andamento a nova fase da GFI Portugal no mercado, a empresa finalizou o ano a recrutar gente, ultrapassando a fasquia das 600 pessoas.
O director-geral frisa que a GFI em Portugal é, actualmente, antes de mais um conjunto de empresas: a Bull, a Compuquali e a Netual. A facturação integrada destas três entidades ronda os 28 milhões de euros. Separando a facturação por unidades, a Compuquali contribuiu com 17 milhões de euros, a Bull com 10 milhões de euros e a Netual com 1 milhão de euros.
Bull Portuguesa passa a GFI Solutions
Em 2008, a empresa vai sofrer um conjunto de mudanças, decorrentes da integração da Bull Portuguesa na estrutura da subsidiária portuguesa da GFI. Nesse sentido, a empresa vai operar no mercado com a marca GFI Portugal, sob a qual funcionam empresas especializadas com determinadas ofertas. José Henriques explica que, se por um lado a empresa quer focalizar a sua actividade no que faz melhor, também não pode deixar de diversificar a actividade. «Queremos construir uma empresa onde possam nascer novos projectos, permitir a inovação. Queremos apelar para a diferenciação e criatividade para podermos diversificar», afirma o director-geral da empresa. É dentro desta filosofia que surge a GFI Solutions. Conforme refere José Henriques, esta nova empresa surge «da transformação da Bull, uma vez que essa marca vai passar a chamar-se GFI Solutions no mercado».
Enquanto GFI Solutions, esta empresa pretende dar um salto qualitativo deixando a área de produto para centrar a sua actividade nas soluções junto do cliente final. Estas soluções estão relacionadas áreas de negócio como soluções de pagamentos (PoS), soluções de gestão documental e gestão de conteúdos, segurança e biometria - que eram linhas de negócio existentes dentro da Bull Portuguesa.
A estas áreas, a GFI Solutions vai acrescentar novas linhas de negócio, como a integração de soluções ERP destinadas a médias empresas. Neste caso, a empresa está a estabelecer parcerias com a Microsoft Dynamics, SAP e Oracle, neste último caso para a vertente de soluções JD Edwards.
Para poder trabalhar esta área, José Henriques diz que «a GFI Portugal está à procura de empresas com ofertas verticais em SAP para empresas com uma dimensão na ordem dos 10 milhões de euros». No entanto, o director-geral refere que, apesar de ter nos seus objectivos a realização de novas aquisições, a estratégia e prioridade para 2008 é «consolidar a nova estrutura».
A estas áreas de negócio, há ainda que acrescentar as áreas de ITIL, formação e projectos à medida, que transitam da GFI PT para dentro da GFI Solutions, correspondendo sensivelmente a um valor de 3 milhões de euros.
Por outro lado, a actual GFI PT irá centrar a sua actividade naquilo que são as suas principais competências e vai fazê-lo recuperando a marca Compuquali, tendo como competências trabalhar com o sector de TI e com o sector de telecomunicações.
Texas Instruments pode potenciar a software factory
Outro dos projectos da GFI Portugal para 2008 passa por potenciar a actividade da sua software factory. Esta unidade de negócio transita da Netual para integrar a GFI Solutions, tendo dois objectivos principais. O primeiro é ser uma forma de a GFI Portugal poder exportar competências para todo o Grupo GFI Informatique, uma vez que a software factory funciona como um near shore em Aveiro com competências .Net e Java.
José Henriques explica que a segunda parte da estratégia seguida pela software factory é mostrar que esta unidade de negócio pode prestar serviços de outsourcing no desenvolvimento aplicacional e na manutenção de aplicações. É o caso do recente negócio assinado com a Texas Instruments, que recorreu à unidade sedeada em Aveiro para realizar um projecto de third party aplication maintenance. Devido a este acordo, a empresa está a recrutar mais 10 pessoas para se juntarem às 15 que estão alocadas na software factory.
Nesse sentido, a GFI quer posicionar esta fábrica de software como um near shore capaz de concorrer em termos de preço e sem afectar a qualidade do desenvolvimento, com projectos desencadeados em França, Espanha ou na Alemanha.
Netual centra-se na internacionalização
Ao passar a software factory da Netual para a esfera de competências da GFI Solutions, esta companhia vai passar a focar-se na venda de soluções de televisão corporativa, que, em 2007, tiveram «um sucesso muito grande em Angola», segundo José Henriques. A Netual ganhou um importante negócio neste país, com a colocação de painéis informativos nos estádios do campeonato africano de basquetebol. Estes painéis gigantes passam informação e imagens de vídeo relativas aos resultados dos jogos, publicidade e outros conteúdos. Neste negócio foi vendido não só todo o equipamento de hardware, como o respectivo software de gestão que está por trás desta solução, como soluções de gestão de conteúdos.
«Actualmente, estamos a visitar a Guiné, Cabo Verde e o Brasil para comercializar soluções idênticas à implementada em Angola», explica o director-geral da GFI Portugal.
Devido a este grande projecto em Angola, a Netual acabou por se estabelecer em Angola, podendo ser o canal da GFI para desenvolver o negócio dos meios de pagamento em Angola que a empresa recebe graças à aquisição da Bull Portuguesa (GFI Solutions).
Chegar aos 30 milhões
O director-geral GFI Portugal salienta como objectivo para este ano fiscal alcançar um volume de negócio na ordem dos 30 milhões de euros. Uma meta que José Henriques define como «comedida, mas que é perfeitamente alcançável».
Este responsável explica que, se a GFI Portugal mantiver os resultados separados por áreas de negócio, no final de 2008, possivelmente, a Compuquali vai reduzir a sua prestação, porque está a transportar parte do seu negócio para dentro da recém-criada GFI Solutions, reduzindo à partida as suas receitas em cerca de 3 milhões de euros. Por outro lado, a Netual, deve registar um crescimento no mercado internacional, ao ponto de atingir 1,5 milhões de euros.
No que diz respeito à GFI Solutions, a empresa vai ter que duplicar a facturação da software factory do actual milhão de euros para dois milhões. O objectivo final da GFI Solutions é concluir o exercício fiscal com receitas de 14 milhões de euros.
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