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Virtualizacao garante redução dos custos PDF  | Imprimir |

De: Patricia Calé/Casa dos Bits
Semana nº 935 de 3 a 9 de Julho de 2009

Estratégias de virtualização marcam retoma



 

Presente no mundo das TI desde os anos 70, os benefícios da utilização da virtualização têm sido claros, razão pela qual foi possível evoluir esta tecnologia, inicialmente associada aos sistemas mainframe, para ambientes de servidores e desktop

Considerada uma das 10 tecnologias críticas para 2009 pela Gartner, a virtualização parece ser um caminho consensual para responder à necessidade de redução de custos relacionados com o alargamento das estruturas de hardware, duplicidade de sistemas operativos e infra-estruturas concorrentes.

Utilizada inicialmente em ambientes de teste e desenvolvimento, este tipo de soluções é hoje em dia completamente standard em ambientes produtivos, estando a notar-se a sua expansão para ambientes de recuperação de desastres e virtualização dos postos de trabalho, onde se apontam mais-valias e economias enormes.

«Nos últimos anos, a virtualização tem vindo a provar o seu valor, a sua aplicabilidade e fiabilidade em ambientes produtivos críticos. Existem mais produtos com credibilidade no mercado e as funcionalidades têm aumentado ao mesmo tempo que os valores os tornam mais competitivos», considera Mário Pereira, solutions consultant da Dell Portugal.

As soluções para virtualizar parecem assim evoluir de acordo com as necessidades, requisitos e também com o desenvolvimento dos processos de negócio das organizações. «Em ambiente servidor Unix/wintel, até há pouco, o conceito da virtualização só era utilizado para implementar ambientes de continuidade de negócio. Hoje a realidade é diferente e verifica-se a existência de muitas plataformas virtuais com aplicações críticas de negócio e de alta disponibilidade, com especial destaque para os centros de dados», lembra Rui Borges, business developer para SAS IT Intelligence, da SAS Portugal.

Esta evolução também se verifica por terras lusas, onde, na opinião de Mário Pereira, o receio inicial de que os produtos não cumprissem o que prometiam está completamente esbatido, existindo «imensa procura em Portugal». O solutions consultant da Dell refere que nos últimos anos a empresa fez um grande esforço no sentido de propor pro-activamente estas soluções aos seus clientes, mas que hoje em dia já são os clientes que requerem directamente soluções de virtualização.

Face ao interesse mostrado, a fabricante diz estar neste momento a tentar evoluir a sua base instalada, no sentido de alargar a plataforma para suportar recuperação de desastres e virtualização de postos.
Para Gonçalo Sousa, business developer da GFI, em Portugal ainda existe algum cepticismo, mas denota-se que a procura por este tipo de soluções tem aumentado. «E não duvidamos que irá continuar assim. Na maior parte dos cenários, não há razões que não justifiquem o recurso à virtualização», considera.

O despertar por parte das empresas para os benefícios desta tecnologia e a crescente procura por soluções é igualmente apontada por Rui Borges. «À nossa escala e dimensão, verifica-se já a implementação de um número razoável de projectos de optimização de ambientes virtuais, e estimamos que venha a aumentar, pelos benefícios que a virtualização representa ao nível de custos e eficiência», destaca o business developer da SAS.

Investimento mesmo em altura de contenção

  Receios persistem
As vantagens prometidas são convidativas, mas os receios relativamente a uma tecnologia considerada recente, cujos contornos ainda podem estar pouco divulgados, leva algumas empresas a resistirem à virtualização. «Muitas empresas ainda não acreditam nos benefícios. Além disso, existem muitas com receio de virtualizar certas aplicações», aponta Gonçalo Sousa, business developer da GFI, que sugere, no entanto, que tudo isto pode ser ultrapassado através de projectos-piloto ou demonstrações nas próprias instalações das empresas.

Os custos iniciais de investimento, o desconhecimento das capacidades técnicas das soluções e a desconfiança ou descrédito no modelo de virtualização são, na opinião de Nuno Sequeira, especialista em soluções de virtualização da Methodus, alguns dos entraves à adopção da tecnologia.

Na SAS Portugal, a inexistência de um plano credível, «baseado em métricas “reais”, que apresente uma estratégia de implementação com objectivos claros e mensuráveis», tem sido um dos factores encontrados que mais contribui para a resitência à implementação de soluções de virtualização. «É essencial ter a resposta certa às questões de como começar, por onde e quando, e alinhá-las com a estratégia de negócio do cliente», aconselha Rui Borges, business developer para SAS IT Intelligence.

«Nas empresas maiores, não acreditamos que existam ainda entraves à adopção; aqui os entraves serão mais à extensão a áreas como a virtualização dos postos e recuperação de desastres e mais uma vez serão ultrapassados ao ganhar confiança nos produtos e verificar as enormes vantagens oferecidas. No caso da virtualização dos postos de trabalho, há que contar com a resistência dos utilizadores finais, mas como as vantagens para a empresa são tão grandes, pensamos que o futuro passará por aqui», considera por sua vez Mário Pereira, solutions consultant da Dell Portugal.

Já nas empresas mais pequenas, o maior entrave será o investimento inicial, refere o responsável, «embora seja já muito menor quer em termos de licenciamento, quer em termos de hardware».

«A virtualização foi um passo muito importante no mundo das tecnologias, tanto que foi adquirido com entusiasmo, mas sempre com algum receio. As origens da virtualização estavam pensadas para ambientes de desenvolvimento e de laboratório, e talvez por essa razão tenha existido desconfiança na hora de planear uma solução global para o datacenter», sugere Pedro Guerreiro, director da Ozona Consulting.
O mesmo responsável lembra, por outro lado, que para algumas empresas, o investimento inicial para desenvolver um projecto de virtualização também foi uma barreira de entrada, mas que hoje em dia esse obstáculo está «mais que superado» com a oferta dos produtos gratuitos dos principais fabricantes.
   

Apesar do momento económico pouco favorável aos gastos, os fornecedores de soluções de virtualização são consensuais em afirmar que os projectos nesta área são os menos afectados, «inclusive, muitos dos outros projectos de pura renovação tecnológica têm sido transformados em projectos de virtualização», avança o responsável da Dell, que apesar das condições adversas prevê um crescimento da tecnologia, «onde o rápido retorno de investimento é facilmente compreendido e aferido».

Nuno Sequeira também aponta o rápido retorno de investimento como um dos drivers para a adopção da tecnologia. «Pensamos que este ano os investimentos em soluções de virtualização vão aumentar, porque é possível justificar e apresentar um modelo de negócio que permita às empresas obter um retorno de investimento a curto prazo», refere o especialista em soluções de virtualização da Methodus.

A redução do Total Cost of Ownership (TCO) da respectiva infra-estrutura, «aliado a uma maior consciência da importância dos custos» é outro dos benefícios que leva Gonçalo Sousa a considerar que os investimentos nesta área irão manter-se.

De qualquer modo, tendo em conta a conjuntura actual é natural que os novos investimentos e novos negócios de uma maneira mais directa ou indirecta sejam afectados, o que leva Pedro Guerreiro, director da Ozona Consulting, a considerar prematura qualquer análise relativamente ao investimento na tecnologia no curto prazo. «Algo que podemos comentar é que, cada vez que existe um novo projecto ou um novo problema, a virtualização é sempre mencionada», faz contudo questão de salientar.

Vantagens comprovadas
São inúmeros os benefícios apontados à virtualização, mas a redução de custos parece ser o principal driver para a maioria das empresas que opta pela tecnologia.

Claudia del Castillo, sales manager da Magirus Portugal, defende que o actual clima económico acaba por funcionar como catalisador em «tempos de poupança», notando que a virtualização, para redução de custos, é hoje em dia uma das maiores preocupações dos clientes da Magirus.

A opinião é partilhada por Gonçalo Sousa, para quem a pressão constante pelo controlo dos custos tem ajudado, comprovadamente, à adopção deste tipo de soluções. Mas existem outras vantagens. «Além de permitir poupar dinheiro em hardware e respectivos contratos de manutenção, influenciando directamente os custos de energia e refrigeração, a virtualização facilita a administração dos recursos, reduz o tempo de deployment de sistemas, melhora a disponibilidade dos mesmos e facilita significativamente a aplicação de um plano de disaster recovery», aponta o responsável da GFI.

«As vantagens são enormes, e vão desde a facilidade de gestão à economia de custos energéticos e de espaço, passando pela capacidade de responder com rapidez a mudanças estratégicas do negócio da empresa», faz questão de salientar Mário Pereira. Os benefícios são inúmeros, mas na opinião de Rui Borges, da SAS Portugal, só poderão ser alcançadas se a estratégia de implementação de um processo de virtualização for acompanhado por um plano de orientação que apresente que sistemas, aplicações e serviços podem ser virtualizados e quando.

Equacionar para maior benefício
Pese embora todos os benefícios associados à virtualização, há quem defenda que a adopção de soluções de virtualização nem sempre é devidamente equacionada pelas empresas e que a promessa de redução de custos prometida leva por vezes a alguma precipitação. Tal possível situação leva Gonçalo Sousa a defender que a implementação de uma solução de virtualização carece de um trabalho de consultoria. «Cada empresa é um caso que deverá ser analisado com o devido cuidado de forma a encontrar a melhor solução», sublinha.

«É importante avaliar a realidade de cada empresa e perceber como a virtualização pode melhorar a sua actividade e que tipo de aplicações e informação a disponibilizar sem colocar em risco a integridade da informação da empresa», defende por sua vez Fernando Rodriguez, director-geral da Citrix Iberia. «Seguimos a apologia que sempre que uma empresa pensa em virtualizar, deve procurar alguém com competências certificadas para os apoiar a pensar o seu negocio, os seus processos e optimizar este tipo de investimento, pois caso contrario as expectativas de redução de custos poderão ser logradas por não ter havido um correcto dimensionamento dos projectos».

  Virtualização segura
Na hora de implementar soluções de virtualização, a Ernst & Young deixa, no seu relatório «IT Trends», algumas chamadas de atenção relativamente às questões de segurança. Um dos aspectos que, na opinião da consultora, não devem ser descurados pelos responsáveis pela área das tecnologias numa empresa é o uso de redes seguras, pois nas migrações os dados não estão tipicamente criptografados. Também é importante controlar bem o acesso às interfaces administrativas do servidor, que em ambientes virtualizados podem expor numerosas aplicações de uma só vez. A recomendação da Ernst & Young passa pela aplicação de políticas de senhas fortes. Sugere-se igualmente os gestores de TI a monitorizarem não só as máquinas virtuais como também o nível do hypervisor. Por último, a consultora aconselha as empresas a assegurar redundância física, ou seja, a distribuírem por máquinas físicas as aplicações críticas.
   

Discordando da ideia inicial, o solutions consultant da Dell defende que a “precipitação” a acontecer estará relacionada com o tipo de solução escolhida. «O valor de investimento inicial leva alguns clientes a optar por uma solução mais limitada. Mas também aqui, é muito fácil migrar entre soluções de virtualização...», sugere Mário Pereira. «Uma vez que o retorno de investimento é tão tangível e as vantagens tão visíveis, não consideramos que seja precipitado optar por uma estratégia de virtualização.»
Nuno Sequeira da Methodus tem parecer idêntico, afirmando que a adopção de soluções de virtualização é devidamente equacionada pelas empresas. «[As empresas] geralmente comparam entre optar por comprar hardware ou virtualizar e, nesse sentido, já sabem quais os custos/benefícios das soluções apresentados.

«Actualmente, pelo número de projectos de virtualização implementados e pelo nível tecnológico das diferentes soluções, a redução de custos é obtida na maioria dos projectos. No entanto, um dos factores fundamentais para assegurar esta redução de custos está na fase de planeamento e análise da estratégia de virtualização», refere Rui Borges, acrescentando que a não concretização dos resultados esperados durante o processo de virtualização é geralmente resultado da implementação de uma incorrecta estratégia ou plano, e não tanto da tecnologia.

Virtualização em qualquer lugar
São várias as tendências apontadas às tecnologias de virtualização a curto e médio prazo, como é o caso do crescimento esperado para as áreas de recuperação de desastres e virtualização de postos de trabalho, mas a virtualização na nuvem, parece merecer destaque, embora a sua “materialização”, na opinião de alguns fornecedores, se preveja para «um futuro menos próximo».

«As tendências futuras passam por oferecer serviços por cima das infra-estruturas virtuais e isto leva-nos ao cloud computing. Isto trata de flexibilizar ao máximo os serviços de TI, de forma a adaptar de forma imediata os requisitos dos. Em suma, são os recursos justos e necessários em cada momento, sem prejudicar o serviço em horas de mais utilização e sem desaproveitar os recursos de energia nas horas de pouco uso», explica Pedro Gerreiro.

«Colateralmente com esta infra-estrutura cloud também se consegue um ambiente green, onde somente é consumida a energia necessária em cada momento, já que a plataforma é capaz de ligar e desligar servidores à medida que são necessários, poupando uma enorme quantidade de energia», acrescenta o director da Ozona Consulting.

Este será contudo um cenário para um futuro menos próximo, na opinião do responsável da Dell, que também defende a virtualização na cloud, já suportada pela nova versão do VMware VSphere, como uma das principais tendências. Até lá «ainda será necessário um bom avanço em termos de comunicações no sentido de proporcionar a largura de banda necessária a um preço razoável».
Fernando Rodriguez, da Citrix Iberia, defende igualmente a viragem para «um segundo estágio de maturidade onde o cloud computing será um driver de mudança» e acredita que as tendências irão passar também muito «pela adopção da tecnologia de virtualização por parte das PME».